A fazer fé nos jornais, Fernanda Câncio foi vaiada por afinidade
9:31 Quinta, 2 de Abril de 2009
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De todas as classes profissionais, nenhuma terá tanta razão de queixa dos jornalistas como os próprios jornalistas. Os jornalistas podem desconfiar dos políticos, desprezar os empresários, maldizer os artistas - mas quem eles detestam mesmo são os outros jornalistas. É uma atitude que, sendo em geral sensata e justificada (tenho vindo a abominar gradualmente o conceito de jornalista e o ser mais ou menos humano que, pontualmente, o corporiza), resvala com frequência para o traconismo (sim, sim: o traconismo). É uma espécie de corporativismo invertido.
Esta semana, Sócrates foi à ópera e o público vaiou-o. E o primeiro-ministro nem sequer cantou. Mas, como se apresentou com a namorada, os jornais optaram, quase todos, pelo título: "Sócrates e Fernanda Câncio vaiados no CCB". Só um observador particularmente subtil é capaz de compreender que, quando um grupo de cidadãos vaia o primeiro-ministro, está também a apupar quem o acompanha.
Um jornalista menos hábil na hermenêutica das vaias não teria percebido que, naquele momento, os apupos se dirigiam, aparentemente em partes iguais, a José Sócrates e à namorada. No entanto, a fazer fé nos jornais, Fernanda Câncio foi vaiada por afinidade.
Eu estudei (o mais desinteressadamente possível, é certo) comunicação social. Mas, por falta de atenção ou talento, não saí da universidade preparado para interpretar uma vaia com este rigor. Duvido que, se Sócrates tivesse convidado o Dalai Lama para assistir à ópera, os jornais tivessem relatado que Sócrates e o Dalai Lama haviam sido vaiados no CCB. Se Manuela Ferreira Leite fosse primeira-ministra e o público a vaiasse numa cerimónia pública, não sei se a comunicação social diria que Ferreira Leite e o marido tinham sido vaiados. Uma hipótese provável - sobretudo para quem conhece Fernanda Câncio -, era que o público estivesse a vaiar o primeiro-ministro e a assobiar a Fernanda Câncio. Mas, neste caso, o ouvido dos jornalistas soube detectar que o que se ouvia eram apupos, e dirigiam-se tanto a Sócrates como à namorada.
Fernanda Câncio não está, evidentemente, isenta de culpas. Se, mal entrou no CCB, tivesse vaiado também o primeiro-ministro, os títulos poderiam ter sido diferentes. O casal seria vaiado na mesma, mas os jornais teriam sido forçados a registar que, apesar de tudo, Sócrates tinha sido mais vaiado do que Fernanda Câncio.
Por fim, o público presente na sala também não sai bem deste episódio. Sócrates chegou atrasado à ópera porque ficou à espera do primeiro-ministro de Cabo Verde. Com tantos e tão bons motivos para apupar o chefe do Governo, vaiar José Sócrates por ter aguardado pelo seu homólogo cabo-verdiano é como assobiar Carlos Queirós por não fazer a barba.
Como sempre o nosso caro Ricardo Araújo Pereira, perspicaz, atento crítico aos chamados "males da sociedade", nunca deixando de lado o tal humor, que por um lado desdramatiza mas, por outro lado enfatiza todos este males, e lhes dá assim uma maior projecção, tal como o caro Santos, utilizador do portal Visão, escreveu no seu comentário a este mesmo artigo.
Peço muitas desculpas ao "fedorento gato famoso", mas quero-lhe recordar um episódio da minha infância...
Noutros tempos havia feiras... onde se comprava e vendia de tudo (não falo em favores, em influências nem cargos) mas sim bens e objectos, desde os produtos da terra ao artesanato.
Pois numa dessas feiras, quando todos feirantes já estavam instalados, chegou um almocreve com a sua récua, e, como tinha que ir para o local que lhe era destinado, atravessaram a feira, atropelando tudo todos...
Não foram os animais que foram que foram propriamente alvo da ira dos feirantes... Foi o almocreve que os conduzia!
Quando alguém é suposto ter um nível CÍVICO e de responsabilidade maior que os que o acompanham, é sempre responsabilizado pelos estragos que os seus acompanhantes causam (pelo menos enquanto a Paula Bobonne ou a Ana de S. Gião não fundarem uma UNIVERSIDADE INDEPENDENTE DAS NOVAS OPORTUNIDADES).
Se compararmos o prestígio e "chá" que é suposto uma jornalista ter tomado em em pequena, com o nível cívico da sua comitiva, não restam dúvidas que tal jornalista tem de assumir a sua quota parte de responsabilidades...
"Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele"...
Finalmente vejo-o a reconhecer que nem todos os disparates que se fazem neste País no que respeita ao Prmeiro Ministro não são mais do que isso: Disparates! Este foi mais um. Santa paciência tem José Sócrates para aguentar com tudo isto. Eu já tinha mandado tudo dar uma volta.....
é sempre bom saber que alguem consegue falar dos assuntos que nos tocam de uma maneira mais ironica. assim desgasta menos o ouvido e é menos doloroso de se ouvir. dizem-se verdades com discrição!
mais um comentario cheio de profundidade filosofica so capaz dos genios dos anuncios.
eh impressionante como individuos que nao conseguem dizer nada ,de forma constante tem artigos de opiniao ( bem pagos ) em tudo quanto eh sitio. Nao ha pachorra. Viva o condado portucalense!
A maior parte de nós homens depressa se satura da namorada por não saber ao certo qual a sua utilidade,mas depois de ler este artigo a música já é outra!
Claro está que tenho de agradecer ao referido jornalista(ó Ricardo não tens que levar a mal mas não tens mèrito nenhum nesta descoberta)e tenho também que reconhecer a genialidade do nosso 1ºministro!
Não gosto de gatos e ....fedorentos, muito menos. Este artigo pensei que era 1 minuta, para o gatão DIOGO QUINTELA (esse goste é da m/cor), desenvolver e aplicar com humor nos programas de TV. quanto a um tal WOLF ? ? ? , devia editar o novo livro de Portugues, para que pudessemos aprender, alguns de nós, somos incultos.
José Sócrates, primeiro-ministro de um (des)governo de maioria absoluta PS, foi à ópera e, como em muitos outros lugares por onde tem passado, foi vaiado por um conjunto de pessoas, quem sabe se por se sentirem traídas nas promessas não cumpridas ou penalizadas pelo excesso de zelo deste (des)governo em previligiar os ricos enquanto degrada continuadamente as condições de vida da maioria dos cidadãos - Voilá! (inspirei-me no "jamais!" de Mário Lino.
E esta é uma realidade que, quer os que ganham dinheiro a escrever artigos de opinião quer os que dão opinião à borla, por muito que gostassem não podem negar.